Annelize Tozetto Fotografia

Anne - 032

A menina que ama fotos

Saulo Marenda*

Estava tão imerso em meus pensamentos que nem a vi chegar. Como sempre, eu olhava os livros de uma livraria imaginando qual iria ler. A época era de férias escolares e após um ano frustrado, eu esperava ser chamado para a universidade. Tinha ficado na lista de espera e resolvi que deveria aguardar.

Com um sorriso sincero, ela me cumprimentou cordialmente. Respondi meio tímido e embaraçado. Já a conhecia de longa data, mas nunca tivemos um contato mais próximo. A conhecia de vista, por assim dizer. Após uma rápida troca de palavras, ela falou algo que não vou esquecer:

– Fique tranqüilo! Com certeza você entrará na universidade e nós estudaremos juntos!

Ela tinha escolhido o mesmo curso que eu e tinha passado na primeira chamada. Com méritos, diga-se de passagem. Homem religioso que eu era na época, tinha pedido ao Onipotente que me desse uma amiga. Alguém em quem pudesse confiar e que pudesse dividir meus anseios e meus segredos. Mal sabia eu que Ele me daria mais. Ele me daria uma irmã.

 

Annelize, Anne, Nanoca, Nani, Nanikinha (acreditem, ela já teve o incrível e-mail de nani_nanikinha@algumacoisa, ou algo parecido…), Anninha, Pipinha e, mais tarde, Madrinha são alguns dos nomes pelos quais ela já foi conhecida. Dona de uma criatividade sem tamanho, suas diversas facetas formam esse ser humano complexo e apaixonante.

Seu nome de batismo é Annelize Paes Tozetto, nascida no dia 23 de fevereiro de 1987, mas é conhecida por todos apenas por Annelize Tozetto (o que, com certeza, deixa Dona Lúcia – sua mãe – possessa da vida). Para os íntimos, ela é apenas Anne, embora essa pequena palavra, ou apelido, se preferir, nem de longe dizem e mostram a complexidade dessa garota.

Formada em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2008 e com pós graduação em Jornalismo Literário pela Associação Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL) em 2014, Anne conseguiu conciliar suas paixões: escrever e escrever bem sobre pessoas. As mais variadas possíveis, desde um ciclista famoso na cidade que nasceu – Ponta Grossa – passando por pessoas que mudaram de vida com uma alimentação saudável, até seres humanos que estão à margem da sociedade.

Entretanto, apesar de escrever com maestria, nada se compara ao seu verdadeiro amor: a fotografia. Formada em Fotografia pelo Centro Europeu na turma 2009/2010, Anne parece que nasceu com uma máquina em volta de seu pescoço. Desde que a conheço, suas inseparáveis companheiras estão ou na sua mala (ou bolso, dependendo do tamanho) ou em seu pescoço. O que é irônico, pois Anne poderia nunca ter fotografado na vida.

Como assim? – pergunta o mais incrédulo. Acontece que Anne teve uma guinada em sua vida quando tinha apenas 12 dias. Sua mãe biológica, mesmo com o imenso amor que sentia por sua filha, viu que não podia dar um futuro digno àquele ser que acabara de nascer. Sabia, mesmo que inconscientemente, que ela estava destinada a grandes feitos. Por isso, a entregou a adoção.

A sorte (ou o destino) bateu novamente a porta. Anne foi recebida por duas pessoas incríveis – Dona Lúcia e Seu Ede, que a amaram e criaram da melhor forma que puderam e conseguiram. E foram eles, somados aos esforços da Anne, que possibilitaram que ela conseguisse realizar seus sonhos. Hoje, ela trabalha com fotografia e, diga-se de passagem, o faz com uma precisão cirúrgica e invejável.

Seu escopo é variado. Ela fotografa eventos, casamentos, aniversários (de adultos, mas principalmente de crianças), formaturas e jantares. Também tira fotos do “O Famoso Brigadeiro” e desde 2010 integra a equipe do maior festival de teatro do país – o Festival de Curitiba. Além disso, já teve suas fotos publicadas em diversos jornais de grande circulação do país como a Folha de S. Paulo e a Gazeta do Povo e em sites internacionais.

Diante do seu serviço, Anne é uma pessoa que está em todos os lugares, mas que também não está em lugar nenhum. Um dia está em Curitiba, no outro em Cascavel, no próximo em Brasília, depois em Florianópolis, passando por São Paulo e, quando sobra um tempo, passa por Ponta Grossa e visita seus amigos. Trabalho ruim, alguns diriam. Para Anne não. Ela gosta dessa vida, afinal ela tem amigos em diversas regiões desse país e possui uma facilidade incrível em fazer novas amizades.

A verdade é que as pessoas gostam da Anne. É quase impossível ficar bravo com ela. Se, por alguma razão, você perder a cabeça com ela, em poucos minutos você já a estará amando-a. Ela tem esse poder, essa química. Mas, cuidado quando o contrário acontecer. Dona de uma personalidade forte e de valores convictos, Anne defende seus argumentos até o último momento. Quando está com a razão, não cede de jeito nenhum. Tem a teimosia típica, para quem acredita, de uma pisciana.

Contudo, engana-se que acredita que ela seja uma menina difícil de lidar. Anne, ao contrário, exala amor. E demonstra das mais diversas formas. Sendo realmente uma segunda mãe para sua afilhada Alice, amando incondicionalmente sua prima Jéssica, cuidando de todos os seus melhores amigos como se fossem seus irmãos e paparicando e mimando o seu mais novo amor – seu namorado Leonardo – o Leo.

Enganam-se quem acredita que posso descrever a beleza de Anne. Minhas débeis palavras, não conseguem descrever quão bela ela é. Talvez não seja bela conforme os padrões de beleza impostos pelas grandes mídias. Ela tem uma beleza única, ímpar. Algo misterioso que nos faz acreditar que não existam duas Annes. Seu sorriso sempre presente em seu rosto nos faz acreditar que o mundo pode e deve ser um lugar melhor.

Anne sempre é aberta ao novo e é amante do conhecimento, tal como a protagonista do livro “A menina que roubava livros”, sua obra predileta. Anne é uma contradição, mas uma contradição gostosa. Daquelas que nos mostram que os seres humanos são seres complexos e que não devem ser taxados apenas de uma forma. Anne é uma artesã da vida, uma menina que ama fotos…


* Saulo Marenda é jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (2008) e pós-graduado em Jornalismo Literário pela ABJL (2014). Escreveu os livros “Por trás do Risco – Olhares e percepções sobre as áreas de risco da cidade de Ponta Grossa”(2008) em parceira comigo e “Estive no Cárcere e me visitaste – Memórias de quem sobreviveu ao inferno” (2009). É pai da Alice, uma das quatro existentes na minha vida, meu irmão de alma e melhor amigo.